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ReLer

por PAS, em 25.11.09

(por razões que eu própria não reconheço vou hoje - quiçá amanhã também – abandonar o minimalismo caligráfico, já que me andam a chatear estas frases sem indícios de começo.)

 

Não é sem a angústia de um primeiro amor que se relê uma história, ainda que mascarada pelos sorrisos que a puerilidade do acto faz por entranhar. Estes momentos, tão ímpares, são ainda de maior valor quando se encontra no intervalo de tempo lacunas de épocas – gerações até – quando assim é lembra o espírito a própria juventude e não apenas a da leitura. Há quem tenha no acto da literatura um prazer ocioso, outros um manifestar supremo... assumido apenas pela arte de quem lê, mas raramente associado aos que praticam a releitura, pois não fosse eu tão grande fã da ciência, de facto, esclareço que me revejo infinitamente mais na arte de reler que na de ler... e se gosto eu desse pecado, aquele desfolhar virginal, o primeiro contacto com as imaculadas, diáfanas páginas brancas ritmadas somente pelo titubear maquinal de letras impressas ao sabor da mente do artista. Mas nada se compara ao reviver de paixões e relembrar sentimentos, sonhos que a história quis que ficassem anexas àqueles contos de prazer, sensibilização ou tristeza. Acercam-me à mente as joviais descrições de Júlio Dinis, o qual tive prazer de reconhecer pela enésima vez há dias, a maratona histórica de Leon Uris, que ainda hoje me altera o ânimo... a arte de escrita de Gabriel Garcia Marquez onde apenas cem anos de solidão poderiam acalentar o mais ambicioso dos aspirantes a romancista, e por ai podia eu cansar-me não fossem muitas as viagens que a literatura me concedesse.

 

Todo este inflamar da alma e tão só por um motivo, a maravilhosa consciência de que não só a ciência dos microscópios e dos teoremas matemáticos pode auspiciar conceder ao homem conhecimentos de outra índole, de outra dimensão, pois o mais leigo dos homens, o mais pobre dos seres, a mais triste das existências pode encontrar num folhear outro mundo, outra realidade, outra vontade. E no refolhar reencontrar esses sentimentos, esses estares.

Tenho com isto a dizer que não existe maior encanto que encostar as inquietações, pegar naquele exemplar macilento e degradado e passar a vista pelo tempo. Que um deus qualquer abençoe quem de direito.

 

PAS

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