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Prison Breakdance

por PAS, em 12.08.10

Há situações que só uma urbe em conflito, um Governo de Ardina, e uma depressão assimilada pelos andores acomodados, permitem. Situações, que outrora, em momentos de paz de espírito, levariam a uma abordagem critica, senão visceral, sobre o estado das coisas. Hoje porém resumem-se a pedaços extemporâneos de comédia, momentos reais gravados em papel de jornal (pasquim), que a descrença generalizada transforma em quadros surrealistas, para apreciar e gargalhar de permeio a um copo de vinho tinto, de mesa (porque do bom não há dinheiro), e um tremoço pálido.

Sim, é assim que vejo o “estado” de certas coisas, não porque estou sentada à mesa de um botequim, de ar opiáceo – resultado de um jarro de barro envelhecido vazo de uma sangria tinta, de frutas de verão – mas antes por obra de uma parangona em corpo 30 descoberta no decurso de um acto de exploração internética aos diários da república (sem qualquer relação com aquele role de portarias destinado a porteiros de linguagem comum). Diz a mesma, inserida no contexto justiça (a ironia do jornalismo): “Sintra. Presos em greve de fome querem Playstation”, in Jornal I

Ora consta que cerca de 10% da população total do sobrelotado estabelecimento prisional tenha requerido uma melhoria substancial na alimentação, visto que o bife de frango com puré não se coadunaria com a bitola dos mesmos... recomendo como resposta, a esta legitima queixa, a passagem regular de um qualquer Jamie Oliver, ou Nigella, pela copa da prisão, na impossibilidade de tal banalidade aconselho um serviço à lá carte a combinar com um arauto da Michelin Cuisine.

Já quanto à conquista da Playstation 2 – sim, eles até foram humildes e pediram a versão anterior à actualmente comercializada – eu aconselho vivamente uma resposta afirmativa, afinal há demasiada putrefacção nas prisões, entre os que são mortos e os que só têm “tempos mortos” não há lugar para muito mais senão... morte! Por isso, é deixá-los descarregar a Testosterona num qualquer grupo de polícias que agora circulam naqueles jogos “supé” didácticos que circulam pela modernidade e que incentivam a assunção de uma carreira na orla do narcotráfico, furto e quiçá assassínio.

 

Há situações que só uma urbe em conflito permite uma reacção apática. Que permite que um indivíduo sentado a escravizar as horas de existência por um mísero sustento, veja outros, dissidentes, a demandarem sem retorno a qualidade de vida que não tem, e esboce um sorriso, qual resposta a uma comédia do destino!

 

 

PAS

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