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Ensaio

por PAS, em 23.08.10

Faz muito tempo desde que sinto uma angústia tão exorcizante sem que lhe esteja inerente motivos pessoais. Sinto um rebuliço no estômago, um aperto no peito, a respiração entrecortada, uma revolta... ah uma revolta!,  camuflada pela necessidade de manter diante de meus pares a compostura que a sociedade exige! A mesma sociedade que evoca em mim estes demónios.


Para aqueles que como eu, sucumbem ao desânimo por doença de espírito é infinitamente doloroso viver num país que perdura no caos. Visto este hábito todos os dias, querendo sem poder, tentando sem fazer... é uma utopia degradante que se ajusta apenas e somente a um povo velho e cansado... não, exausto! Fumigado pelo fumo criado pelas constantes promessas de um sonho que apenas assume contornos de pesadelo e que se vai montando qual puzzle a cada anno domini.


A ambição que faz de outros a vanguarda e o futuro, resume-se, neste país de muita semântica e pouco lavor, a um simples desejo de no final do mês ter a habilidade de cobrir as dívidas que a própria existência produziu. Um povo prostrado a cobrir as exigências de um mundo capitalizado, onde o dinheiro dita a lei vida.


Sou leitora e escritora de narrativas criticas e ditames, e estou cansada! Neste país de horizontes curtos e mentalidades moldadas à estagnação e à subserviência, onde somente dedos se erguem em acusação, o tempo passa e nada acontece. Caem ideais, fingem-se estares, morrem projecções, nascem mentiras... tudo escrito, tudo acusado, e nada feito. Critica-se depois a chico-espertiçe daqueles que na apatia fazem por viver a vida sobre parâmetros diferentes daqueles estabelecidos mas irreconhecíveis. São tão só reproduções de uma sociedade em decadência de valores e existência.


Numa terra sem Rei nem Roque, somos como peões dados a comer para que aqueles mascarados de rainha e súbditos subtraíam os últimos resquícios de riqueza moral e histórica, vendendo depois cópias corrompidas pelo amor à pátria e sentido de estado... Sou o espelho desta república e reprovo tudo nela! Os maneirismos, a critica, a hipocrisia, a farsa escondida por trás de ideologias e demagogias que representam nada mais que areia para os olhos daqueles que não o sabem. Os socialismos ignóbeis, a pseudo-democracia, a liberdade fingida, a celeuma comunista, que mais não é que um parasita entranhado num momento de fraqueza do homem e da lógica, que por razões meramente masoquistas perdura. O liberalismo... esse golpe de vista a querer fingir aos ingénuos uma liberdade impossível de concretizar. Ah... houvesse uma borracha cósmica... houvesse uma pena incauta, capaz de reescrever a humanidade sob o signo da própria existência. Seria diferente? Somos nós uma espécie imberbe sem noções claras sobre o nosso papel no universo, qual criança mimada ego centrista, preocupada somente na visão unitária das coisas?, Ou seremos nós uma espécie velha e decadente, oca de valores, sem sentido de existência, morta pela soberania depravada e ambição desmesurada?


Sou o espelho da minha república, quero fazer e não faço, vivo na mentira e omito, acuso a sombra de quem sei culpado, vejo fugir a moral e não agarro. Sou o espelho da minha república, fraca, triste e prostrada... uma amostra de pátria. Portugal, que futuro nos separa?

 

PAS

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