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Ala do Ser

por PAS, em 24.06.07

viajei recentemente pelo corredor da doença, inúmeras luzes brancas iluminavam um caminho gasto pela presença constante. estranhos conduziam-me sem o frenesim dos "ERs" americanos, mas com uma calma inquietante, reflexa de um estar anestésico consequente da repetição.
os corredores sucediam-se, portas abriam-se e fechavam-se, pessoas acumulavam-se na sucessão de acções realizadas... experimentei o estar ébrio antes da injecção repousante. era tudo tão estranho.
estagnei junto a uma parede, quase abandonada... aqueles que eu determinara responsáveis por mim, conversavam descomplexadamente o mundano, sem indiciarem sentir a minha presença, pensei se sentiriam o mesmo pela minha maleita, mais uma de muitas... um número, nada mais.
por fim abandonei a minha parede branca, esperava por mim um leito metálico, impessoal... pensei como era estranho tantas pessoas passarem por ele sem macularem aquele objecto com a sua presença.
colocaram-me de costas, dois grandes óculos luminosos apontaram para mim, pessoas à minha volta abordavam-me sem que eu as entendesse... eu acenei sem compreender, acenei à vida, acenei até a clareza fugir e a escuridão se apossar de mim...

PAS

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1 comentário

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De André Ricardo a 25.06.2007 às 01:11

Se há coisa que me assusta, é essa ala. Com tanta descrição, dá para ter uma ideia, só uma ideia, do que é. Porque nunca tive lá. E tenho medo se estarei lá. Deve ser frio. Deve ser para...esquecer. O momento em que dão a injecção repousante deve ser para pensar que podemos sonhar. Ali. Enquanto nos entregamos às mãos de alguém. Quem nunca lá esteve, não sabe o que é...essa ala.Por onde tu já passaste, o que já passou. E tudo correu bem.

Graças a um deus qualquer.

(porque o teu deus não é o meu. Mas o meu também pensou em ti nessa ala)

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