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Ala do Ser

por PAS, em 24.06.07

viajei recentemente pelo corredor da doença, inúmeras luzes brancas iluminavam um caminho gasto pela presença constante. estranhos conduziam-me sem o frenesim dos "ERs" americanos, mas com uma calma inquietante, reflexa de um estar anestésico consequente da repetição.
os corredores sucediam-se, portas abriam-se e fechavam-se, pessoas acumulavam-se na sucessão de acções realizadas... experimentei o estar ébrio antes da injecção repousante. era tudo tão estranho.
estagnei junto a uma parede, quase abandonada... aqueles que eu determinara responsáveis por mim, conversavam descomplexadamente o mundano, sem indiciarem sentir a minha presença, pensei se sentiriam o mesmo pela minha maleita, mais uma de muitas... um número, nada mais.
por fim abandonei a minha parede branca, esperava por mim um leito metálico, impessoal... pensei como era estranho tantas pessoas passarem por ele sem macularem aquele objecto com a sua presença.
colocaram-me de costas, dois grandes óculos luminosos apontaram para mim, pessoas à minha volta abordavam-me sem que eu as entendesse... eu acenei sem compreender, acenei à vida, acenei até a clareza fugir e a escuridão se apossar de mim...

PAS

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Lacrima

por PAS, em 20.06.07

são lágrimas e nada mais. caem com a gravidade, de caminho traçado, rumo à extinção.
é uma vida curta, associal... onde a fortuna denuncia-se no conúbio de um par na face do infortúnio.
são consequência da angústia, causa de empatia... e são agridoces, salgadas na sua forma e doces na expressão. amigas do olhar convidam o toque, a carícia a subtrair-lhes o significado sem pudor.
caem sem método ou ciência, apenas caem no vazio... no vazio do espaço, no vazio do esquecimento, a forma eloquente do humor líquido.

PAS

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O desinteresse do interessante

por PAS, em 19.06.07

já sei.
não precisam de pensar nisso.
é absolutamente desinteressante... óptimo, eu queria chegar exactamente ai! enquanto pensam, lá vem "esta" - sendo "esta" uma pessoa altamente interessante literariamente e de enorme índole cultural, cof-cof - com as suas pseudófilosofias de bancada parlamentar de terceiro anel, pregar o existencialismo e brincar ás barbies com a etimologia, eu experimento o desinteresse do interessante, eu conquisto o interesse, porquê? ora, sem dúvida que este é um assunto de simpatia é a prática secular da contradição, o yin e o yang em consonância... e tudo no meu blog! e no entanto o contacto com este exaustivo brilhantismo diz-vos que é "dull", desinteressante, mais uma história da carochinha, em que a merda do João Ratão não se decide pela estúpida da gaja à janela!
bolas como isto é desinteressante - gritam as vossas mentes
nem sei porque estou a ler este logro - ah, mas lêem e até ao fim, porque de facto não interessa se é interessante o que interessa é que é desinteressante... tenho dito.

PAS

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Viagem

por PAS, em 04.06.07

sigo no comboio, observo sem novidade o mesmo contexto de iguais percursos. as mesmas pessoas - faces diferentes - olham-me como para lado nenhum, aguardam o aquiescer maquinal que lhes permita viajar de corpo e mente rumo ao destino. e é enquanto observo o mundano, lugar comum, que urge o sentimento inexpugnável da criação, inicia-se uma dança lenta mas inebriante de palavras ao som de um virtual Sentimental Mood, de Cole Porter e Duke Ellington, solta-se o espirito literário.
entre a angustia do papel imaculado, sem vincos narrativos ou coitos poéticos, e a pressão do punho inquieto, liberta-se a semântica, rasurada ou profícua, liberta-se para encontrar nada mais que o ponto final, o ponto que lhe permite o regresso de um estado de alma, ausente do estar consciente.
por isso sigo no comboio e observo sem novidade... as mesmas pessoas, para lado nenhum e aguardo o soar desencarcerante... a liberdade.

PAS

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olho para lado nenhum
espectante por te encontrar em algo.
procuro a redenção sem saber
que me foje sem rumo.
quero viver... não sei porquê.
a resposta soa-me infiel,
como a sombria vontade de morrer.

olho para lado nenhum
e encontro-te. és fria e indiferente.
chamas por mim confidente,
manifestação de mundo algum.
ouço chamarem-te morte...
hoje chamar-te-ei cura.

PAS

*não é a bala que mata mas o destino (provérbio)

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