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Chuva

por PAS, em 11.03.14

Hoje ganhei uma nova amiga. Fiel e preocupada, acompanhou-me o dia todo, qual anjo da guarda. Por vezes, senti-a quase como uma segunda pele... Um pouco excessivo, eu sei, mas a devoção era, a esse nível, total. 
Passeámos por S.Bento, Telheiras e Av. Liberdade, demos um salto a Campolide e terminámos a aventura na Alta de Lisboa. Um dia cheio: foi o que senti quando nos despedimos. Um dia abençoado, tal a quantidade de água envolvida na minha cabeça, uma verdadeira sessão de baptismo à escala de dilúvio. 
Enfim, hoje ganhei uma nova amiga. O nome dela? Chuva. Só isso: Chuva. Chuva de manhã, chuva de tarde, chuva pela direita, chuva pela esquerda, pelos pés, pelas mãos, pelo nariz, chuva, chuva, chuva... 
Esqueça-se a ventania, a trovoada, a verdadeira amiga é a chuva. E a ela dedico um enorme arrepio, um nariz pingado e uma garganta sentida. 
Obrigado.

 

PAS

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O caminho para a justiça no futebol há muito tempo que deixou de estar assente na premissa, “marcou mais golos, venceu o jogo, por isso é justo”, o futebol é hoje uma indústria que envolve milhões de euros. Clubes deixaram de ser meras associações desportivas para se transformarem em empresas, geridas com base no rigor financeiro, onde as vitórias são o cunho do sucesso da mesma.  Aquilo que antes era parte de um jogo – o erro de arbitragem - e aceitável pela simples condição desse mesmo jogo, hoje influencia o destino dos clubes, das empresas.

 

Não é lógico, nem tão pouco crível, que a rejeição da modernização da arbitragem, com recurso ás novas tecnologias, resida no argumento, que é “mais puro desta forma”, ou “que o erro faz parte do futebol”. Sim, o erro faz parte de muitos desportos, mas não de forma tão influenciável como acontece no futebol.

 

É óbvio que não se pode revolucionar uma posição de decisão se não houver abertura para modernizar, uma figura que esforça-se, há décadas, para acompanhar o nível de modernização que o futebol tem sofrido.

 

Pode haver cepticismo, descrença na solução de erros de arbitragem, ora por ignorância nos meios existentes, ou pela simples razão de se pensar que o recurso às novas tecnologias tenham tendência para tornar o jogo mais lento.

 

Pois eu tenho uma ideia, um conceito que gostaria de apresentar, que tornaria o árbitro num agente de jogo com acesso a múltiplos níveis de informação, capacitando-o de tomar decisões acertadas, a que hoje está impossibilitado, ou simplesmente destinado a errar.

 

A ideia reside num simples objecto, auxiliado por uma figura externa, fora das quatro linhas de jogo, com acesso às imagens de jogo em tempo real.

 

O objecto: Google Glass (ver aqui)

 

A utilização: Com o Google Glass o árbitro teria acesso a repetições em tempo real através de um feed enviado pelo auxiliar no exterior do terreno de jogo.

 

Exemplo: Fora-de-jogo duvidoso

Nesta circunstância seria dada continuidade ao lance de jogo, sendo possível com acesso à repetição invalidá-la posteriormente, em caso de irregularidade. Mesmo em situação de golo, este só seria validado depois de confirmada a posição legal do jogador.

 

Exemplo 2: Penálti

Um jogador cai na área. O árbitro pára o jogo e com acesso às imagens de repetição toma a decisão.

 

Exemplo 3: Expulsões

Seja por situações de entradas perigosas ou agressões, o árbitro pode consultar as repetições enviadas para o seu Google Glass  para avaliar se a expulsão é a decisão acertada.

 

Exemplo 4: Bola dentro ou fora da baliza

Já está em utilização o olho de falcão no campeonato inglês, dessa forma a comunicação entre ambas as tecnologias seria muito mais estreita e automática. E não existindo o olho de falcão, noutros campeonatos, as repetições seriam novamente o auxílio perfeito para o árbitro.

 

Num mundo onde as novas tecnologias estão cada vez mais presentes, onde cada vez mais pessoas assistem a jogos pela televisão ou internet, onde pessoas nos estádios têm acesso a informação em tempo real e repetições dos jogos, nos seus smartphones e tablets, é apenas lógico que se assista a uma evolução num desporto que move milhões, tanto ao nível de espectadores como de euros.

 

PAS

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Lacrima

por PAS, em 27.09.13

caia uma lágrima
por cada dor sentida
nos braços de ninguém.
quebre-se um sorriso 
por cada mentira rasgada
do num diário de vintém.
que se verguem os braços
por cada arrepio roubado
pelos braços da inocência, 
e saia de mim a vontade,
paire por lado nenhum,
até encontrar a fórmula
que a vida me esqueceu.

caia uma lágrima
por cada choro contido
no deserto epidérmico,
e seque qual virgem fiel
no dissipar da primeira ruga
de peocupação obsoleta.
caia uma lágrima.
mas caia uma lágrima só.

 

PAS

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Relações: O Fácil

por PAS, em 13.09.13

Tudo seria mais fácil, se o fácil fosse meu amante. 
Converso diariamante com ele, convenço-o de todos os meus predicados, tentativas vãs de esconder ao destino que é com a dificuldade que me deito todas as noites, apesar de sonhar com ele. 
A vida é chata nessas coisas.


PAS

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Rubik

por PAS, em 13.09.13

Eu acredito que as pessoas e consequente postura na sociedade são semelhantes à forma como se olha para um Cubo de Rubik. 

Umas procuram, trabalham, torcem e o falhanço é o único resultado. Podem, eventualmente, chamar vitória a uma linha, quem sabe até a uma face, mas o mundo sabe que falharam e continuarão a falhar. 

Depois existem os conformados, aqueles cujo o tutti-frutti é sinal de suficiente, mexer num cubo é estúpido e que o sólido tem “mais piada” assim. Nessas situações a percepção é de que a vida é para ser uma caminhada pela estrada do desinteressante e o horizonte uma linha ao fundo da estrada. Quase podiam ser minimalistas, se o minimalismo não tivesse todo um conteúdo por trás de uma retórica, inexistente nestes “Tutti-frutti”.

Por fim, os Rubikianos, indivíduos que abraçam um projecto, uma conduta, e não se deixam vencer pela dificuldade, procurando com maior ou menor dificuldade o sucesso, construindo linha a linha, face a face as cores da sua vida. 

Claro que ainda existem aqueles que roubam cubos, destroem-nos pelo que representam, ou ao invés de se preocuparem com os seus cubos concentram-se em interferir em cubos alheios.

Depois de 189 palavras de analogias de século XX, concluo. Bem sei que existem pessoas – cruéis sinaléticas humanas – que avisam, com moderada frequência, que outras são apenas arraçadas da espécie. Eu limito-me a concordar, pelo menos pelos próximos dias, até a última estupidez humanada ter sido evacuada... literalmente.


PAS

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O Terceiro Andar

por PAS, em 13.09.13

Não sou uma pessoa de hábitos complicados, alguns deles caem inclusive na trivialidade, um sintoma que nunca forçou um incómodo em mim. Gosto de coisas simples, em contextos simples, com histórias simples. Como estar sentada, à mesa, numa cadeira de vime, parte de um conjunto de mobiliário exterior. Observar, ao longe, barcos acumularem-se no horizonte marcando posição a uma corrida nocturna à subsistência. Para companhia convido apenas a ténue luz de uma vela decadente, um copo de coca-cola borbulhante, que luta desenfreadamente contra agressão do gelo, e por fim o pensamento. 
Não vou mentir. Penso, penso muito, obcecadamente, por vezes, mas é a essência do meu estar, um padrão ímpar nos meus hábitos. A minha vida.

Enfim. Estava num dos meus momentos, a que o destino chamaria trivial, não fosse a ausência de um copo de Jack Daniel’s e um cinzeiro de cheio de cigarros mortos pela minha vontade inconsciente de morrer. A companhia era aquela que me fazia o hábito e o olhar estava prostrado na conversa agitada entre dois amantes. A distância era soberba, semelhante à de um atirador furtivo em inicio de carreira, mas era clara a intimidade. Havia entre os dois um ballet de agressividade apenas comum a quem já havia partilhado o leito. Um vulto moreno, de cabelos compridos, agitava a cabeça em sinal de inquietude, enquanto o par, robusto e penteado da moda, esbracejava e mudava o peso da sua estrutura de uma perna para a outra com demasiada frequência.
Não ouvia uma palavra, mas imaginava sons de ódio feitos palavras, numa pauta de inferno com um único destino. A cama.

“Não vales nada. És um síndrome de nada, de tão nada que és”
“Sua cabra! E tu? Tu és um case study para alguma coisa que se esqueceu de ser”

A conversa tinha tanto de profunda como de superficial, consoante a interpretação do momento, naquele instante decidi não desenvolver. Continuei a espiá-los, do terceiro andar oculto, até abandonarem a calçada da querela em marcha fingida, rumo ao mesmo destino. Fingi um “yes” com o braço direito e recostei-me na cadeira, apenas com o som do vime como prova de vida e imaginei como seria a vida sem estas lutas, constantes, em nome de algo tão subjetivo como o amor.

(To be continued)

PAS

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Volta Parola em Bicicleta

por PAS, em 29.08.13

27.Agosto.2013

 

Hoje armei-me, adoro esta expressão cheia de classe, em ciclista. Andei feita parola, de calção, "camisa em tê" - vá toca a falar português - e óculos de fino intelecto a palmilhar Lisboa da primeira à sétima colina. 
Conclusão a retirar do sacrifício: Nenhuma de jeito. A pança continua no mesmo sitio, a minha cara assemelha-se a um pimento vermelho redondo gigante, onde as sementes se inverteram e resolveram pautar o pimento, num claro manifesto ás sardas irrascíveis. Outra não conclusão é de que a bicicleta, como objecto, é absolutamente idiota, devia ter um mecanismo que permitisse um modo cool, para quem, como eu se cansa da futilidade do pedalar, para além de que continuo a não conseguir replicar o aspecto madaleno, benedito e diáfano, daquelas meninas que fazem da bicicleta um parceiro de ballet na estrada, e cujas pedaladas são gestos de uma coreografia que só os benquistos alcançam. Pois merda para elas. Eu pareço uma parola.


PAS

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Juditismos

por PAS, em 29.08.13

19.Agosto.2013

 

Hoje a TVI conseguiu bater o recorde de pior entrevista de sempre num canal de televisão português. 

Entrevistado: Lorenzo Nobody Gives a Fuck Who
Entrevistadora: Judite Estaline Sousa

Então o assunto foi, tão só, a enormidade da riqueza do Lorenzo, que nasceu no Brasil, viveu em Milão e agora reside no Estoril. Assim como o dinheiro que gasta com festas de aniversário, joalharia, carros e outros, e o facto de não dar a sua riqueza ao povo português, pobre e descompensado. 
A Judite resolveu vestir o manto vermelho e acusar o rapaz de fútil, de desfrutar de uma riqueza que em portugal devia ser crime, e quase culpar o "cristo" da crise instalada.

No final, quase me apeteceu dar uma moeda ao Lorenzo e uma chapada à Judite, principalmente, quando tantas vezes já passou pelos holofotes da tv portuguesa um senhor chamado Cristiano Ronaldo que é cópia chapada da vida de fausto do Lorenzo Nobody Gives a Fuck Who, e considerado imagem de sucesso.


PAS

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O Vazio do Calor

por PAS, em 29.08.13

15.Agosto.2013


Dias nadam sobre ondas invisíveis de raios UV, a mente associa-se ao ócio e o pensamento torna-se um registo oásico de um deserto de ideias. De fundo faz-se soar a normalidade, através de um A/C demasiado barulhento para ser premiado pela temperatura menos sofrível do antro. 
Não se passa nada. A televisão oferece uma variadade de merda apenas existente nas fossas comuns do interior da China. À janela, observo a rua vazia. Fico a aguardar os naturais rolos de feno habituais nos desertos cinematográficos. Mas nada. Nem vento, nem feno, nem lixo.
Ligo para alguém, só para saber se o som do outro lado, da agora inexistente linha, era igual ao do oco e pausado silêncio. Apenas o toque ininterrupto de chamada se faz presente.
Dou um berro, os dois gatos olham para mim e logo desviam o sentido para se recostarem-se novamente no sofá. Também eles se vergaram ao nada.
Fico a olhar ao espelho, só eu e eu, tento descobrir o significado do "nada no olhar", procuro-o no meu olho direito, depois no esquerdo, até a vista ficar turva, ardente e uma lágrima escorrer pelo rosto. 
Uma voz chama-me de outra divisão e retira-me da hipnose. "Um algo" pensei. Corri. A revelação foi o alarme do e-mail a avisar-me, que Nada estaria a aguardar. E porque um bom feriado é um bom conjunto de nadas, suspendi a busca por algo e abracei o nada, como se não houvesse amanhã.


PAS

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Sem Querer

por PAS, em 29.08.13

14.Agosto.2013


... de repente fiz-me senhora do teu pensamento e sobre a amurada de colchas e lençóis conquistei o meu espaço, bem próximo do teu, onde apenas um suspiro sobrevivia e um batimento de coração cantava. Era noite e eramos só nós dois.


PAS

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