Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Soldados da miséria

por PAS, em 09.12.07

nos campos rasos pela destruição, milhares de rostos olham inexpressivos para o futuro, lugar de luxo onde vagam poucas esperanças. e aquele estrangeiro, de armas, que defende a miséria, aquele a quem por "sorte" tem a paz de encontrar lágrimas no rosto do sofrimento e o "azar" de tatuar no coração o momento em que um mundo se transforma em dois. o mundo dos que têm que morrer e o outro, sem nome, expectante pela honra do baptismo, pelo caleidoscópio de mentalidades que representa.
assim se pinta o quadro. soldados da miséria.

a Darfur.

Brothers In Arms

these mist covered mountains
are a home now for me
but my home is the lowlands
and always will be
some day you’ll return to
your valleys and your farms
and you’ll no longer burn
to be brothers in arms

through these fields of destruction
baptisms of fire
i’ve watched all your suffering
as the battles raged higher
and though they did hurt me so bad
in the fear and alarm
you did not desert me
my brothers in arms

there’s so many different worlds
so many different suns
and we have just one world
but we live in different ones

now the suns gone to hell
and the moons riding high
let me bid you farewell
every man has to die
but it’s written in the starlight
and every line on your palm
we’re fools to make war
on our brothers in arms


Dire Straits

PAS

Autoria e outros dados (tags, etc)

Memento

por PAS, em 03.09.06

Não nos uniu o tempo, unem-nos as palavras... fiz-me sócia desta premissa ao ler um memento, um memento ao Homem, ás vicissitudes, ao desejo indómito de apropriação ambiciosa de todos os condimentos da vida, igualável apenas ao seu falhanço. Pois foi neste memento que conheci o Sr. Horácio Domingues, meu Bisavô, perecido desde 1948... foi neste memento que vi mais que simples referências saudosistas e nostálgicas, encontrei o seu ego, aquele Eu tão sublime que só se revela pelas mãos de uma pena. Revelo hoje, em sua honra e especialmente dedicado a uma grande Senhora de nome Carmen Zilhão, esta carta a um mundo que tarda a corrigir pecados e a ouvir consciências...

PAS

Memento, Homo...! por Horácio Domingues

As nossas mãos, trémulas e hesitantes, vão lentamente desfolhar, no caliginoso livro da nossa vida, mais uma página de mistério e de dúvida.
O enigma do dia de amanhã, angustiosa incognita que todos receamos desvendar, continua sendo a perturbadora interrogação que nos entenebrece a ilusória alegria com que pretendemos aturdir-nos, nas efusivas expansões da passagem do ano, num desafio grotesto às inescrutáveis sentenças do impenetrável Destino – esse eterno anónimo, como lhe chamou Compoamor.
E no breve decorrer desse minuto solene, trágico para uns, ditoso para outros, quantos almejados sonhos desfeitos ruiram com fragor no íntimo da cada um e quantas ambições, surdamente apetecidas, se transformaram em realidade venturosa, talvez de curta duração, porque na existência dos seres humanos tudo é efémero e vão!
Sorrisos de felicidade, exultações de júbilo, lágrimas amargas e angústias sem nome, tudo se transmuda e converte na pira mágica Tempo, que pode atear rútilos vulcões ou extinguir em cinzas a ligeira chama da Vida.
A vaidade, as aspirações de grandeza, ínfimos anelos que adejam na escuridão da nossa alma pervertida, suspendem o vôo tenebroso quando soa cá dentro de nós o dobrar lúgubre de mais um ano que morre.
A glória, essa fútil quimera que nos deslumbra e ofusca, ouvindo aquele soturno badalar da meia-noite, suspende os seus volteios fantasmagóricos, para recitar-nos os versos de Rostand

Ils y voudriaient vite leur place
Car bientôt ils seront défunts,
Mais la gloire, la gloire passe
Et n’en dore que quelques-uns.

O amor – centelha sublime que enobrece e escraviza a Humanidade, dúvida perene que lhe dá a torturante certeza do Engano – abre os braços jovens e fortes à Beleza, imagem translúcida e fugidia, gêmea do Desejo e, quando os fecha, só neles encontra, já sem vigor, a senil Velhice, fria e execranda como a Morte.
Longe do engenhoso ruído dos festins, cá fora, no silêncio da noite, as coisas vis da Natureza, os penhascos, os seixos, as areias dos caminhos, que talvez já foram firmamento nebuloso e lava ardente, para se associarem à gestação primária do Mundo e que, desde a formação da crosta terrestre, assistiram, caladas e impassíveis na sua materealidade, a todasas convulsões, silenciosamente comentam, com mudo desprezo, as preocupações do Homem, esse verme que se julga gigante e que conta aflitivamente as horas, não vão os vermelhos risos hilariantes fossilizarem-se em tristes pedras brancas de sepulcros.
O Tempo, alheio a todas as alegrias, a todas as dores e a todos os escarneos, imperturbavelmante vira a sua ampulheta de grãos de oiro e, indiferente, passa sem parar, na sua eterna e invariável ronda pelos Espaços rutilantes, galgando astros, à luz tremeluzente das estrelas.
E um ano novo começa, com os mesmos mistérios, com os mesmos enganos e com a mesma sórdida miséria, nas almas e nos corpos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

estava a passear pelo paredão, diga-se para os que não estão familiarizados com o termo, que é a denominação que os cascaenses dedicam à via pedonal que se prolonga pela costa do sol, banhada pela rebentação das águas de Dezembro e iluminada pelo sol de Julho... mas como aferia, passeava eu pelo paredão, observando a estereoctomia do pavimento e imaginando quantas vidas teriam pisado o mesmo destino, quantas o teriam percorrido pelo instinto do atraso para um encontro, quantas teriam simplesmente dedicado a sua presença ao exercício do jogging ou do walking... quantas teriam, como eu, praticado a faculdade do percurso pelo simples prazer da observação da vida emanescente. apreciar o skyline da vila de Cascais, sentir a presença do turismo ecléctico a cruzar-se com o rudimentarismo, tão nosso, como poético.
caminhei sob a aura de uma nobreza pretérita, os senhores e fidalgos que em tempo tomavam este nosso encanto, como a folga elitista dos afortunados. suspirei mentalmente a evolução, hoje sou plebeia e digna de caminhar sobre aquele chão tão mais nobre que aqueles que se afirmavam ser.
avistei no horizonte os domínios que encerravam o concelho, não me preocupei com o desarranjo urbano, ou a carência de certos atributos dignos de um concelho como o de Cascais. olhei... simplesmente olhei com olhos de ver, aconchegada por um profundo sentimento de paz, respirei fundo para levar comigo um pouco mais daquele segredo e pensei: sim, isto é Cascais.

(crónica escrita para o novo site Cascaisonline.com)

PAS

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2009
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2008
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2007
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2006
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D